terça-feira, 13 de outubro de 2020

COVID 19 in 2020 - Estórias fictícias de um perigo real

O ano é 2035, numa manhã incógnita, apreensivo e nervoso, Rubens anda calmamente de um lado para outro esperando o momento que julga mais acertado e oportuno para aproximar-se de Suzana.

Turbilhões de pensamentos fervilham seu consciente, pois o que pretende dizer à Suzana poderá mudar doravante o rumo da vida dela, sim, poderá, pois a exatos 15 anos atrás não mudou, e Suzana como se nada houvesse acontecido, continua sua vida com largueza e tranquilidade emocional.

- Bom dia - diz Rubens - minha nobre senhora, o dia esta lindo não é? Posso sentar-me ao seu lado.

- Bom dia elegante e educado jovem, sim, pode sentar-se, estou aqui observando a natureza.

Sem mais delongas o apreensivo jovem respira fundo e  dispara:

- Me chamo Rubens Torvilho & Arparojo... A senhora é aventureira não é?... Hoje é meu aniversário...

Se perdendo na forma ansiosa do jovem Rubens se expressar, Suzana o interpola.

- Calma jovem, uma coisa de cada vez. Sim, sou aventureira, gosto de praticar modalidades esportivas não convencionais sobre tudo ao ar livre. E parabéns pelo vosso aniversário.

Enquanto falava, Suzana percebeu que o rosto suave de Rubens se avermelhava e lágrimas a priori furtivas começaram a dar-lhe contornos tristes de profundidade tamanha, digna de uma tragédia grega.

Com um tom acalentador, Suzana profere:

- O que houve Rubens, porque decaiu teu semblante e sentimento perturbador transparece em teu olhar? Se hoje é teu aniversário, porque a tua alma se abate?

- Hoje nobre aventureira, faz 15 anos que nasci, porém... faz 15 anos que minha mãezinha faleceu...

- Meus pêsames...

- Espere... como disse mesmo que és teu sobrenome?

- Torvilho & Arparojo, o grafema E se escreve em meu nome com aquele & estilo comercial.

Um silêncio ensurdecedor e sepulcral pairou e, por instantes, como em contos de heróis com presença de Mercúrio and Flash,  tudo ficou slow motion.

Envolvida em pensamentos emaranhados, encerrando a cena de participação slow motion, Suzana sussurra: 'Meu Deus'.

Recompondo em seus sentimentos, ainda com voz tremula, com a convicção de que a aventureira Suzana tinha compreendido todo aquele enredo, o jovem Rubens diz as palavras que ao longo de anos ficaram entaladas em sua garganta.

- Sim Senhorita Suzana, meu nome é Rubens Torvilho & Arparojo. Sou filho único de Moacir Arparojo e Cecília Torvilho. Minha mãe faleceu no dia do meu nascimento.

- Quando em 2020 a pandemia de Covid assolou o mundo, minha mãe grávida de mim e arrolada no grupo de risco se isolou conforme todas as recomendações, porem fizeram uma "festa surpresa" de chá de bebe para ela, minha mãe dispensou a festa, e constrangida despediu a todos... Porem foi tarde demais. Naquele maldito dia "nobre" Suzana, tu estava contaminada e burlando todas as estatísticas e recomendações fostes tu o infeliz elo responsável por levar aquele coroado vírus aos aposentos de minha mãe. 

Rubens levantou-se do banco e lentamente foi se distanciando, e Suzana agora envolta em sentimentos angustiantes rememorava tardiamente o quanto fora relapsa, irresponsável e imatura e que poderá ser reprovada pelo tribunal transcendental fazendo se juntar aos condenados por retirar vida de inocentes.

Texto: Gimerson Ferreira
Foto: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2020/06/04/com-terceiro-recorde-de-novas-mortes-brasil-passa-italia-em-vitimas-da-covid-19

sábado, 3 de março de 2018

MEMÓRIAS – TRÊS DO TRÊS DE DOIS MIL E TRÊS







Mas... as 18 horas...
A saudade teima em insistir,
Relembrando e revirando memórias,
Lá os pensamentos são serenos,
Inefáveis.

Da distancia quinquenal triplo
Em espelho vejo a amada... ohh! saudade.

Somente em miragem o seu rosto contemplo,
O sol reluzente em silêncio respira fundo
Uma voz tremula que ressoa:
ZL’ – “de abençoada memória”,
A lua sempre a de brilhar

Somos filhos, somos tetra, penta... quase octa, porque não hendeca.
Ohh! Maternal gratidão,
Afeto inconfundível, legado ad eternum.
Resta nos recônditos lagrimas furtivas a ecoar.
Enquanto o tempo passa,
Somos teus filhos a te amar.



Texto: Gimerson Ferreira
Fotos: Arquivo da Família

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Resoluções Contabilísticas Para 2018.

Quantas felicitações – muitas sinceras, outras nem tantas e outras nem vem ao caso, vieram à tona nesta virada de ano.
Porem o que esperar para 2018? Saúde? Amor? Prosperidade?...

É comum na virada do ano ou em determinadas ocasiões de reflexão, criarmos resoluções – muitas delas intransponíveis – mas será que já tentamos transpô-las? Ou apenas cauterizamos em nossa mente que determinadas situações são impenetráveis e que a sentença já foi dada e galgarmos o ápice do pretendido é uma quimera!

Neste instante comungo com aqueles que porventura venham a ler estas linhas um pouco do que sinto em relação ao Setor Público e o que vislumbro como possíveis saídas deste marasmo pelo prisma das possibilidades.

O comodismo, oportunismo, providencialismo e outros ismos aglutinados neste contexto são quem não raras vezes vem ditando as “regras” do modernismo caótico incrustado no Setor Público.

Muitos já “desistiram” de lutar por melhoras dentro do Setor Público, e quando menciono Melhoras, não faço relação direta salarial, mas melhoras nas engrenagens que movem a Maquina Pública. O Salário digno é consequência do labor. E isso é quase religioso: “Digno é o obreiro de seu salário – Lucas 10:07”, até porque o labor público a priori não é feito por voluntários.

Não sei se escolhi o Setor Público ou se ele me escolheu - independente de quem escolheu quem, temo que esta união não será eterna devido a fatores "intransponíveis" (pareceu meio contraditório, porem não o é)  - sei dizer que tenho amor no que faço e no que procuro fazer, porem avançar dentro da burocracia pública é angustiante, e mesmo que tenhas destreza de um malabarista, desviar do marasmo público é desanimador.

Porem como resoluções de um novo momento devemos arguidos pela conduta moral e ética, amparados por princípios basilares da legalidade, de cabeças erguidas romper com as falácias impregnadas no setor público de que “manda quem pode obedece quem tem juízo”. A bola da vez, defendida por vários doutrinadores é: “manda quem detêm conhecimento”. O verbo da vez é conhecer, pois somente com o conhecimento tu poderás dizer SIM e/ou NÃO aqueles que teimam em mandar esperando vossa subalterna obediência em atendimento aquele velho jargão obsoleto.

Chega de enquanto Profissional Contábil com carreira devidamente regulamentada, viver a sombra de ordens fajutas; chega de ouvir “ordens técnicas” de quem não é técnico. Chega de ter medo de Controladores Externos, Chega de ter medo de Controladores Internos, quem são estes? Chega de ver os APLICativos como regra maior. Eis ai uma lei “novinha” em folha – 4.320/64 – é só obedecer ela. (somente os fortes entenderão este parágrafo).

Uma contabilidade não pode ficar refém de interesses, a contabilidade não existe para maquiar situações, a contabilidade tem que ser tão pura e simplesmente contabilidade. E quem faz a contabilidade deve ser aqueles que frequentaram a academia universitária e que em obediência a carta Magna adentraram ao setor público através de concurso público.

Ledo engano é o acreditar que Contabilidade está tão somente restrita ao “Setor Contábil” de uma determinada entidade, enquanto ela encontra-se espalhada com mais ou menos ênfase em todas as instâncias da Administração Pública. Porem ressalta-se que existem prerrogativas que são inerentes ao Profissional Contábil devidamente regulamentado. Desculpe-me, mas terei que dizer, nem todos (por mais que alguém empiricamente saiba mais do que os habilitados com CRC e devidamente Concursado) podem ser operador contábil.

Que em 2018 possamos dar um passo, e outro passo, e mais passos para ajudar naquilo que compete a cada ser enquanto cidadão, em cada ser enquanto servidor público, e buscar melhorar dia após dia a vida dos munícipes, a vida daqueles que dependem do serviço dos servidores públicos. Que esta seja minha missão. Que essa seja nossa missão, entre outras, que essa seja nossa resolução.


Feliz 2018! Contabilidade Obsoleta e engessada nunca mais.

Texto: Gimerson Ferreira
Foto: Internet - https://www.youtube.com/watch?v=-0Fy4PJYaAw

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

22-11-2016 - EU VOLTEI

Agora só falta produzir o Texto. O Tema já tenho!


22-11-2013 data de minha última publicação neste blog. "Vida Efémera" foi o tema.

Se passaram 3 anos! Exatos 3 anos. Nunca deixei de pensar em escrever! porem deixei de escrever.

Muitas coisas aconteceram neste interregno. Muitas situações que seriam verdadeiras odisseias. Mas durante estes 3 anos, aqui elas não figuraram. Em "Vida Efémera" já sentia que a "preguiça intelectual" roubaria a cena, e num flash de tempo sumiria o espetáculo.

"Volta o cão arrependido"... nestes 3 anos até o Chaves se foi! A fé de muitos se foi! Nuvens tempestuosas surgiram no horizonte! o espetáculo estava armado. O Circo pegou fogo.

"Eu voltei, Agora pra..." enfim! eu voltei.

Minha fé e meus valores não mudaram. Meus conhecimentos e aprendizados sim!
Aquilo que tenho por justo não mudou. As experiencias ajudaram a perceber o justo com mais nitidez.

Voltei! voltarei! volto a escrever.

Se com o pouco que aprendi nessa vida possa eu deixar o mundo um pouco melhor, ficarei feliz. Pois as atitudes do agora refletirão no presente e no futuro para sempre, amem.

Quero ser um Eterno Aprendiz.

Eu voltei. 22-11-2013 à 22/11/2016. 3 anos. Voltei.

Texto: Gimerson Ferreira
Imagem: Internet

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Vida Efêmera

Sabe... Às vezes vem uma vontade de manter atualizado este blog, mas a correria do dia a dia, o cansaço, a falta de coragem, sobre tudo a preguiça intelectual que ultimamente reina suprema.
Mas, no fundo gosto de escrever, pelo menos aqui falo do que quero sem dar explicações a ninguém – pelo menos na hora que escrevo – porem, poderão aparecer os controladores sociais, os politicamente corretos, os santos e os profanos com seus discursos pré-moldados arrazoando audazmente suas verdades axiomáticas, e como diz a letra da música de Fagner: “E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...E deixemos de coisa, cuidemos da vida pois se não chega a morte ou coisa parecida e nos arrasta moço sem ter visto a vida”.
A vida é bela, porem a todo o momento somos colocados a prova pelas perspicácias e caprichos do destino, e para ‘piormelhorar’ é geralmente nosso próprio destino, ou seja, aquele que moldamos com destreza ponto a ponto, mais também tem aqueles que laminamos a machado, contornado a marreta, forjado a ferro e fogo, e quando vemos nosso destino moldado com tanto “desvelo”, sentamos em um meio fio qualquer e lamuriamos a sorte quentinha do forno.
A vida é muito curiosa! Porem, geralmente não paramos para refletir conscientemente a respeito, e consequentemente perdemos muitas fases deste prisma pelas faces da vida. Vivendo assim uma vida virtual, esteada nas aparências outrora forjadas em quaisquer sombras de vontades reais.
Desrespeitamos nossos semelhantes sob pretexto qualquer, disfarçado de estarmos de bem conosco mesmo, somos egoístas altruístas, defendendo nossos ideais a qualquer preço, a preço baixo e vil de jogarmos sonhos alheios nas sarjetas, alardeando boas ações, daqueles tipos que libertam os aprisionados de um navio no meio do oceano, lançando-os em alto mar. E aqui mesmo poderíamos inverter os valores e discutir: como lançar ao mar se estavam no meio do oceano? Esquecendo assim do afogamento.
Viver a custa de nossos semelhantes, fazendo rolo com a boa intenção do próximo, afrontando e insultando aqueles que agiram com boa fé em nosso auxilio é uma das piores experiências da vida. Mas, como toda história é composta de um prisma, alguém pode não concordar que é uma experiência ruim, pois ela é boa para quem se deu bem, para aquele que vive feliz sorridente, fingindo que nada acontece, que nada aconteceu.
Mesmo que não acreditamos em um ser transcendental, acabamos por forjar nosso futuro, e quando as coisas começam a dar erradas, dobramos nossos joelhos, fazemos promessas, questionamos tudo e o nada, arrazoamos nossa falta de sorte.
Mas acredite amigo, alguém (D´us para poucos) ou alguma coisa (destino para muitos) mandará o pago a cada um de nos. Daí contornar as dificuldades será difícil, pois geralmente o perdão estará atrelado à correção de nosso vacilo. Mas, já esquecemos o que fizemos, o que devemos, que magoamos, que quebramos nossas promessas e compromissos, que deixamos nosso próximo margeado a sarjeta.

Bem vindo à efêmera vida, que por sinal tu procuraste fazê-la amarga aquele que lhe confiou... (reticências para continuidade eterna de possibilidades).

Texto e Foto: Gimerson Ferreira

segunda-feira, 18 de março de 2013


DISCURSO DE COLAÇÃO DE GRAU – FORMANDOS 2012/2 - UNEMAT - UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO

Cáceres – MT, 14 de Março de 2013   /   04 de Nissan de 5773.

Um dia memorável para todos. Para muitos existe a figura da plena conquista. Para outros um misto de regozijo e insegurança, regozijo de ter cumprido mais uma jornada na vida, e talvez insegurança pela incerteza que se avizinha. De “futuro do Brasil, passamos a ser um problema social”.
Mais saibam senhores formandos, hoje cada um recebeu sua chave, cabe agora tão somente a nós abrirmos as portas que nos serão apresentadas ao longo da vida. Lembrando, é claro, que esta referida chave não abrirá todas as portas, mas nos dará o direito de galgar lugares seletos.
Bom seria se todos os brasileiros pudessem um dia sentir a emoção de obter um diploma de nível superior, vemos porém uma triste realidade onde estatísticas dão conta da ínfima parcela da população que detêm um destes canudos.
Mas eis em nossas mãos a oportunidade, de se não mudarmos este cenário desolador, ao menos dar-lhes contornos e nuances de esperanças. Em nossas mãos senhores Licenciados e Bacharéis, o dever de cumprir o outrora prometido de, com esmero, concorrermos para a melhora do ensino e aprendizado, levando desde os grandes centros até aos rincões deste nosso país a tão nobre tarefa de ensinar, instruir, defender, cuidar, cada um com seu dom, com a sua sina, sabemos que muitos fazem isso por prazer, pois em muitas ocasiões é lastimável o reconhecimento que às vezes não temos. Nossa profissão, em especial a de lecionar esta enferma, deixada à margem da sociedade.
Em nossas mãos caríssimos Bacharéis e Licenciados, o dever de zelar e cumprir com todas as prerrogativas do lícito e dos bons costumes. Fazendo com que a nossa conduta moral esteja acima de qualquer suspeita, e não venhamos a macular nossa profissão com algo vil e desonroso. Seja cuidando da saúde de nossos semelhantes, seja no trato com a agricultura, seja no manuseio do patrimônio a que nos foi confiado, seja no interpretar e aplicar da lei, seja na arte de lecionar. O que quer que seja – que façamos com profissionalismo que requer as melhores condutas.
Nobres formandos em Licenciatura Plena nos cursos de Letras, Pedagogia, História, Geografia, Matemática, Ciências Biológicas, Computação e Educação Física. Senhores Bacharelados em Ciências Contábeis, Ciências Jurídicas, Enfermagem e Agronomia. Que este dia não represente um fim, mas sim que possa ser um (re)começo em nossa jornada em busca do conhecimento,  aprendizado, ensino e aplicabilidade do que a nos foi confiado, repassando assim para aqueles que necessitam de nossa ajuda todo o legado que temos adquirido.
Para alguns, sei que foi difícil a jornada,  muitos de nós estamos cansados, calejados, foram 4 ou 5 longos anos de academia, anos de dedicação, de estudos, avenças e desavenças, mas firmes seguiremos nossas veredas, alvorando nossos pendões.
Tivemos professores brilhantes que nos ensinaram mais do que simplesmente uma lição retórica acadêmica, que nos elevaram em conhecimentos que nos acompanharão por todas as nossas vidas. Professores que se enquadram neste discurso, nosso muito obrigado. Em contrapartida, tivemos professores incautos, amantes de seus egos, que somente nos deram exemplos de como não proceder, e quer saber? Agradecemos também. Pois tudo na vida é aprendizado. “examinai tudo e retende o bem”.
E de nossas estruturas? O que dizer? Todos sabem que ainda tem muito a melhorar, mas saibam senhores, acreditem, já esteve pior. Almejamos sim por melhoras, e como formandos, já reconhecidos como acadêmicos egressos, pedimos ao corpo administrativo desta tão nobre Instituição de Ensino Superior, nossa querida UNEMAT, que busquem dia após dia melhores condições estruturais para que a grata satisfação de aprender possa ser mais saborosa.
Precisamos melhorar ainda a quantidade de livros atualizados, de espaços para laboratórios com seus respectivos equipamentos, escritórios modelos com suas escrivaninhas e materiais de expediente, salas para estágios. Toda uma infraestrutura necessária para o bom andamento do ensinar/apreender.
Penso não ser o momento de falar de trechos, contextos e apetrechos, citando falas e retóricas de autores renomados, “enriquecendo” assim o discurso, mas tão somente este é o momento de comemorarmos nossa conquista. De dizermos: “vencida está, esta etapa”,
Quero em nome de todos os formandos, fazer um agradecimento especial a todos familiares e amigos presentes a esta solenidade, também não se esquecendo daqueles que não puderam por um motivo ou outro estarem aqui presentes, mas que nestes penosos – ou não – anos de academia nos deram apoio e ombros amigos para recostarmos quando a labuta era árdua. Lembramos ainda daqueles que durante este período ficaram em nossas memórias, e não jaz entre nos, que se presente estivessem, nos aplaudiriam em pé por mais essa conquista.
Aos colegas e amigos que colhemos durante este trajeto, que dividiram conosco os sofrimentos e alegrias, saibam que ficarão para sempre em nossos corações. Aos colegas chatos, implicantes, impertinentes, obrigado por tudo, vocês também fazem parte desta história e acreditem ou não sentiremos falta de tudo isso. Eu sou/fui um desses chatos, seja soltando músicas minutos antes de se iniciar uma prova, seja tirando fotos, seja jogando aviãozinho, dando toque no telefone celular. A vida acadêmica não é só estudos, também tem os momentos de descontração.
Queria poder citar nomes, mas seria injusto estar aqui representando todos os formandos, citar nomes apenas daqueles que em sala comigo estiveram. Não sei como mudar isso, mas na verdade somos um grande arquipélago com cada sala de aula representando uma ilhazinha, e rostos que vi ao longo de anos, vejo hoje também comemorando e me recordo que estamos no mesmo barco navegando por este tão imenso oceano acadêmico.
Como num ritual de passagem, agora cada um segue seu rumo, e vez por outra nos veremos pela vida, nos encontros de professores ou profissionais liberais, cada um com sua valise, com seu material didático, e recordaremos destes momentos que passamos nas sendas acadêmicas.
Caros colegas formandos, familiares, amigos, corpo docente, servidores, autoridades... FICA O NOSSO AGRADECIMENTO!

E que D´us possa nos abençoar!

MAZAL TOV - BOA SORTE. 

OBRIGADO!

Texto: Gimerson Ferreira - Orador representante dos graduandos.
Foto: Moises Bandeira - Durante a oratória!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

DUAS CATEGORIAS DE SERVIDORES EM CÁCERES-MT

Talvez pouquíssimas pessoas saibam, mas a partir de Julho de 2012, os Servidores Públicos Municipais  de Cáceres foram divididos em duas categorias, a saber: Os Procuradores e os Outros. Logo, se você não é Advogado do município (procure chama-los de procuradores se não quiser encrenca) automaticamente esta incluído na outra "Catiguria": OS OUTROS.
Tal divisor de águas surgiu com a Lei Complementar 96 de 18 de Julho de 2012, devidamente aprovada pelos caridosos da Câmara Municipal e sancionada pelo nobre e tão gentil prefeito.
Vale de antemão ressaltar que a referida LC tem seus pontos válidos.
Mas, no quesito ISONOMIA, no quesito do que é JUSTO, é sem dúvida a mais cruel, desproporcional e abismal das leis municipais  cacerense, onde outorgou a uma parcela ínfima dos servidores públicos municipais prerrogativas se não ilegais, no minimo censuráveis e desprovidas da imparcialidades necessárias ao bom andamento da coisa pública.
A referida LC é composta de 89 artigos e 1 anexo, e traz em seu bojo disparidade que doí aos ouvidos o ouvir e arde as vistas ao ler. Senão vejamos:
1 - Aos Procuradores: 15 dias de licença paternidade; aos OUTROS: 5 dias;
2 - Aos Procuradores: Ajuda financeira para participar de seminários a doutorados (licença remunerada); aos OUTROS: entregues a sorte;
3 - Aos Procuradores: ir do nível I ao IV (nível IV seria para quem concluísse Doutorado) com apenas cursinhos de 360 horas; aos OUTROS: vai fazer doutorado se quiser galgar o nível IV.
4 - Aos Procuradores: Fazer o concurso para prover seus próprios integrantes; os OUTROS: tudo no mesmo pacote em concurso feito pela prefeitura normalmente;
5 - Aos Procuradores: Jornada de trabalho de seis horas (30 horas); Aos OUTROS:  40 horas sem choro;
6 - Aos Procuradores: Diária equivalente ao de Secretário; Aos OUTROS: aquela diariazinha que você já conhece;
7 - Aos Procuradores: Permitido utilização de meio próprio de locomoção (carro próprio) com indenização de 20% do vencimento base percebido mensal; Aos OUTROS: sem comentários;
8 - Aos Procuradores: Adicional por serviço extraordinário, com acréscimo de 100% em relação à hora normal de trabalho; Aos OUTROS: alguém ai (sem ser os chegados) recebem hora extra?
9 - Os Procuradores: só vão responder consultas para o Prefeito, vice, procurador geral, secretários e ao chefe da controladoria; aos OUTROS Técnicos (engenheiros, contadores, etc etc) como dito: são OUTROS;
10 - Os Procuradores: Regidos pela LC 96/2012; Os OUTROS: "O pessoal de Apoio Administrativo é regido pelo PCCS do Município a que estiver relacionado a LC 25/97 e LC 48/03". Art. 79 Lc 96/12.

Enumeramos alguns disparates da novíssima LC 96/2012, e como podes bem ver, ela macula em muito a Isonomia que deveria ser aplicado a todos servidores.

E como se não bastasse a referida LC 96/2012 deu liberdade os Procuradores para como bem entenderem regulamentar determinados itens que lhes deram um certo foro privilegiado frente aos demais servidores, e para não perderem tempo já emitiram mais alguns decretos/portarias/leis lhes favorecendo em diversas situações e setores, como os abaixo elencados:

Decreto Nº 001/2012-PGM, de 24/11/2012: "Dispõe sobre o horário de expediente da PGM, institui o banco de compensação de horas e dá outras providências". Essas providências são: 1 - Cria o Banco de Compensação de Horas, que quer dizer: faz hora extra e poderá usar ela quando quiser faltar um belo dia. 2 - Consolidar a afirmação da redução de hora de trabalho para 30 horas semanais. 3 - Atender ao Público das 12 as 14:00 horas apenas (coitado do contribuinte que vier de longe e chegar as 15:00 horas na prefeitura).

Portaria Nº 619, de 30/11/2012: Enquadramento ao Nível IV (que deveria ser em formação acadêmica de Doutorado) da maioria dos atuais Advogados (Procuradores). Isso vai mexer um pouquinho na folha não? e também majorar de sobre maneira os salários.

Lei 2.349, de 20/12/2012: Por fim cria o órgão 16.000 no orçamento municipal  com mais de 1 milhão de reais. Claro, assim podem elevar-se todos ao nível máximo, e os OUTROS? que se... Outro dado interessante é que este órgão 16.000 tem mais valor alocado do que algumas Secretarias tradicionais.

E agora? Ao meu ver, se não houver uma correção com a revogação total da referida LC 96/2012 ou de artigos que ferem a Isonomia entre os servidores deste município sob a alegação de que a LC 96 não é eivada de vicio e está dentro dos padrões legais e éticos, e que estou vendo coisa onde não tem; cabe a nós, os demais servidores que também passamos anos a fio em uma cadeira na Academia, que temos nossas formações técnicas  que exercemos de igual modo trabalhos imprescindível ao bom andamento da coisa pública, que fomos TODOS concursados a 40 horas de trabalhos semanais: solicitar o principio da Isonomia e que um mesmo principio atenda a demanda de todos, não fazendo distinção entre servidores e servidores.

E ainda sobre a revogação da LC 96/2012 muito se ouviu nos corredores e nenhum dos que tinham poder para solicitar a revogação/correção o fez. E alguns dos que declararam sua inconformação com a referida LC 96 estarão na nova Gestão. Vamos ver se continuam críticos ou se vão horar seus salários se tornando institucionalizados e discípulos dos conformes.

E para encerrar meu "devaneio" sou expressamente contra majorar salário mudando de Nível com apenas especializaçõezinhas pois isso é um desrespeito com quem quer estudar. Fica a dica.

O que escrevi é meramente técnico  não tenho nada contra pessoa de ninguém  apenas quero ser tratado com justiça e igualdade, e não me sentir como se estivesse vivendo em 2 mundos distintos.

E que neste novo ano (2013) possamos todos caminhar rumo a uma cidade melhor, e isso meus amigos, depende de cada um de nós, sem querermos ser melhor do que ninguém, apenas tratarmos e sermos tratados com a Isonomia que merecemos.

Texto : Gimerson Ferreira de Souza
Foto: http://www.activismodesofa.net/2010/10/dois-mundos.html